# Trip to Áustria

Tenho um problema em estar quieta. Sim. Tenho uma sede imensa de mudança e de procurar o que me dá paz e sorrisos. 
Em pequena queria - porque queria - mudar de escola. Entretanto, no inicio da adolescência queria - porque queria - estudar fora de Lisboa. Primeiro foi o Porto, e com 14 anos sabia que cursos me interessariam na invicta, provas de acesso e médias. 
Pouco depois descobri Coimbra e tomei-a como sonho: decidi que queria estudar Psicologia em Coimbra. Não consegui entrar e inscrevi-me em Psicologia em Lisboa. No ano seguinte voltei a tentar Coimbra e voltei a não entrar. Não sorria o suficiente e sabia que tinha de fazer alguma coisa para mudar isso. Ao 3º ano no ensino superior desisti e começei de novo: Coimbra, porque ninguém realiza os nossos sonhos por nós. 

O meu apanhar ar ou laurear a pevide funciona da mesma forma: muito tempo no mesmo sítio prende-me. E eu sou de liberdade. Preciso, necessito e quase imploro a mim mesma por passeios, por sair da zona de conforto, por conhecer outras praias, outros jardins, outros rostos, outras pronuncias, outros vinhos, outras imagens no visor da máquina fotográfica.

E não há forma melhor de recarregar baterias, do que pegar no carro e conduzir ao sabor da liberdade. São as minhas trips e há pouca coisa que me dê mais gozo do que elas. 
Não sou uma miúda de interrails, não sou uma miúda de aeroportos, não sou uma miúda de horários ou imposições. Gosto de escolher o caminho, parar o carro à beira da estrada para fotografar e ser surpreendida pelas aldeias que não vêm no mapa. 

Quando comprei o bilhete para Stuttgart, uma das primeiras coisas que pensei foi que não iria desperdiçar uma viagem para ficar três dias na mesma cidade. O primeiro plano pensado foi ir até a Amesterdão - entretanto ganhei juízo, louca mas não tanto. 

Fui ao mapa e localizei Stuttgart, escolhi o Sul e coloquei no instagram uma localização de uma terra ao acaso... a partir daí escolhi uma fotografia e visitei o instagram dessa pessoa, e assim sucessivamente é encontrar fotografias de locais que realmente me encantassem. Fiz uma lista no meu caderno: 
  • Geroldsee;
  • Partnachklamm; 
  • Neuschwanstein Castle; 
  • Fussën.

No segundo dia em Stuttgart obriguei os meus companheiros de viagem a acordar as 5:30H, peguei no carro e atravessei a cidade em direcção ao Sul. Muito sono, música e muitos sorrisos quando começamos a ver neve à beira da estrada. Posso dizer que das melhores fotografias que tirei nesta viagem foi numa paragem de descanso à beira da auto-estrada, linda coberta de branco - é isto que eu gosto nas minhas trips: poder parar o carro porque sim e fotografar o tempo que eu quiser.


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Para cumprir a minha lista, tínhamos de sair da Alemanha, entrar na Áustria para voltar à Alemanha. Não fazia ideia que era necessário passar nos Alpes e fiquei super entusiasmada quando o descobri - isto sim, é o que eu chamo de serendipity.





Nem fazia ideia que Geroldsee fica - l i t e r a l m e n t e - no meio do nada. Podemos parar o carro numa aldeia que passa muito despercebida e andar cerca de 1Km até lá. Juro que não sei como é que descobri este sítio: nunca tive tanto frio e nunca estive em sitio nenhum tão simples e mágico. Um misto de emoções boas e um desafio aos sentidos, e o melhor: começou a nevar quando chegamos ao lago de Geroldsee. Mágico: o cenário de filme idílico! (Pesquisem imagens no google, é fascinante!). 








Partnachklamm é muito perto de Geroldsee. Tão perto que não nos deixou recuperar do frio daquele sítio fascinante e não nos atrevemos a explorá-lo. É um percurso de caminhada, é necessário pagar entrada e as pessoas que se deslocavam para lá iam super bem equipadas e e eu nem luvas tinha. Partnachklamm é uma zona em que o rio azu turquesa - gelado - corre por entre as rochas e o trilho são 700 metros lado-a-lado com este rio por entre cavernas. (Procurem também imagens: há fotografias espectaculares!) 





Neuschwanstein Castle parece o sítio mais awesome de sempre - pelas fotografias de outros - e foi o lugar que menos nos fascinou. É um castelo num penhasco, que o imaginámos enorme a final não o é tanto assim. Vimo-lo ao longe e não parámos: as trips também têm disto, poder escolher seguir viagem quando o sitio não preenche as espectativas, e seguimos assim até Fussën onde lanchámos. Uma cidade pequena bem ao estílo Alemão e onde não consegui fotografar nada que me apaixonasse. 




Conseguimos regressar a Stuttgart ao final da tarde e fomos, mais uma vez, à feira de Natal comer fruta com chocolate e waffles - não se aguenta! Que saudades!

2 comentários:

  1. Viajar é realmente a única coisa que nos torna mais ricos. Mais ricos para sempre :)
    Que fotografias bonitas Beatriz!

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  2. Adorei, adorei, adorei!

    Que orgulho em ti princesa!

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